Trazer a meditação para a sala de aula é um processo que envolve o professor, sua prática e a adesão dos alunos. A prática vem se tornando cada vez mais comum no ambiente escolar e a MindKids – que além de ensinar os alunos atua na capacitação de professores  – contribui para a difusão da meditação no ambiente educacional.

A seguir, conheça quatro depoimentos de pessoas que trabalham com educação e  que contam sua experiência de levar a prática de mindfulness para a sala de aula depois de terem participado dos workshops da MindKids:

 

Ouvir o coração

Alberta Magalhães Rodrigues é voluntária em um projeto social em Americanópolis. Ela realiza atividades com crianças carentes de 7 e 8 anos, quinzenalmente. “São atividades recreativas, durante as quais tentamos transmitir valores, dar a elas algum benefício para a realidade que elas vivem”. Depois de participar de um workshop da MindKids em Março de 2018, ela incorporou às atividades a meditação,  principalmente por meio de exercícios de atenção plena ao som e ao corpo, porque, segundo relata, as crianças são muito agitadas. “Elas enfrentam desafios que nós nem imaginamos. E a atenção plena ajuda a melhorar o foco, a deixá-los mais calmos e conscientes, controlando a impulsividade”.

Alberta conta que no início foi difícil ter a adesão das crianças, mas hoje já tem maior participação. “Um dia, uma das crianças me disse que conseguiu ouvir o próprio coração. Fiquei emocionada”, conta.

 

Valorização do diferente

Marcela Araújo de Mello, professora de geografia, já praticava yoga e meditação.  Em razão de seu mestrado, ela interrompeu as atividades de docência e, quando voltou, foi convidada a dar aulas em um tradicional colégio paulista. Lá, ela dá aula de geografia para uma centena de alunos de 10 a 12 anos, e conta que cinco minutos da aula são dedicados ao mindfulness, atividade que ela incluiu depois de ter cursado um workshop da MindKids em agosto de 2018, que lhe forneceu ferramentas para levar a prática ao público mais jovem. “Já no primeiro dia foi um sucesso. Os alunos de colégios mais tradicionais sentem a necessidade de serem ouvidos. Quando o professor faz algo diferente eles valorizam muito”. E Marcela vê os resultados na prática. “Muitas vezes aplico avaliação em outras salas e vejo a diferença de concentração e de foco dos outros alunos. Os alunos que praticam mindfulness, quando têm um ‘branco’, respiram e voltam a ficarem centrados”. Ela conta que, mesmo com aulas curtas, de apenas 45 minutos – e praticando mindfulness durante cerca de cinco minutos – suas turmas acompanham o programa curricular sem nenhum atraso. “Para mim, isso demonstra que a meditação os ajuda a focar e a ficarem mais tranquilos, o que favorece o aprendizado”.

O sucesso da iniciativa foi tão grande que os próprios alunos de Marcela pediram que a prática fosse incorporada à grade disciplinar da escola. E Marcela já encaminhou o projeto para a direção.

Mindful teaching

Renata Ottoniel dá aulas para crianças de 4 a 5 anos na be.Living. Ela começou a meditar em 2017 depois de perceber que não adiantava “parar à força”. “Eu simplesmente ignorava, me recusava a lidar com alguns sentimentos como a raiva. Eu ia colocando a ‘sujeira para baixo do tapete’ e descobri, com a meditação, que é melhor lidar com esses sentimentos”. Ela conta que aprendeu a respirar com mais consciência, entender suas reações e a poupar-se quando necessário. Renata explica que dar aulas para crianças tão pequenas pode ser desafiante em alguns momentos, pois elas não conseguem nomear seus sentimentos, o que exige que o professor observe com atenção a vida  e sentimentos de cada um para entendê-los melhor: “são pais, mães, babás, é um universo de pessoas, emoções e sentimentos além do aluno”, afirma. Mindfulness ajuda a lidar melhor e com tranquilidade com esta diversidade de pessoas. “E eu  me pergunto o que eu ensino, qual o meu papel e como lidar com tudo isso, pois tudo o que eu faço tem um efeito”.

Ela diz que a meditação a tornou mais tolerante, mais solidária e paciente. O envolvimento de Renata foi tamanho que o projeto de pós-graduação dela foi sobre o ensino de mindfulness a crianças pequenas.

O passo seguinte foi aprofundar, em um workshop da MindKids, formas de levar mindfulness para a sala de aula. “As crianças têm abertura para falar o que sentem, incentivaram os pais a comprarem sinos para praticarem em casa e resolvem conflitos sem minha interferência”, conta.

Autonomia emocional

Cláudia Rodrigues é vice diretora da Escola Estadual Professora Dulce Leite da Silva. Há três anos, foi implantado na escola o Programa de Ensino Integral, que inclui, além das disciplinas tradicionais, a disciplina de Educação Socioemocional que busca desenvolver essas habilidades nos alunos. “Quando percebi que a meditação poderia ajudar, fui pesquisar e me matriculei num dos workshops da MindKids. Foi então que comecei a meditar com os alunos da escola, no pátio, quinzenalmente”.

Como a demanda era muito alta e os resultados, promissores, ela multiplicou o conhecimento. “Passei em cada uma das 14 salas de aula para falar e praticar mindfulness. Comecei pelas mais problemáticas. Hoje, tentamos resolver a correria, gritaria e estresse com as práticas de atenção plena. As crianças estão desenvolvendo a habilidade de resolver seus problemas e têm muito mais autonomia”, comemora.