16 professoras de 8 escolas diferentes reunidas durante um domingo inteiro para aprender, compartilhar experiências e entender como a meditação em sala de aula pode ajudar crianças e adolescentes.

“O workshop é um espaço de compartilhamento de conteúdos teóricos e práticos. Abordamos aspectos diferentes, para entender como cultivar uma prática pessoal de meditação, como estar mais presente e atento nos ajuda a sermos melhores em sala de aula, e ao compartilhar a práticas com os alunos, tornar o ambiente mais propício ao aprendizado” e explica a instrutora Daniela Degani, a primeira pessoa no Brasil certificada pela Mindful Schools no programa “The Mindful Schools Year-Long Certification Program”.

No workshop, o foco foi o exercício da presença plena, com a vivência de práticas de atenção plena ao corpo. O evento reuniu professoras da Educação Infantil e Ensino Fundamental, o que proporcionou uma troca intensa e interessante de experiências. Na parte final, as professoras formaram grupos com outras profissionais que lecionam para faixas etárias próximas e compartilharam as dificuldades e soluções específicas de cada etapa.

A atenção plena ao corpo é uma das possibilidades de meditação, que elege as sensações do corpo como objeto de foco. O corpo e suas sensações pode ser, nesse aspecto, um instrumento para trazer a mente para o presente, para que possamos prestar a atenção ao que está acontecendo enquanto está acontecendo. “Estarmos “presentes” abre um espaço importante para que, em vez de simplesmente reagirmos aos estímulos no “piloto automático”, possamos tomar consciência de cada uma de nossas ações”, avalia Daniela.

Assim, a prática da atenção plena também pode ajudar a lidar com sentimentos considerados “negativos”, como a raiva. “A questão é que a raiva em si não é o problema. O problema é o que fazemos sob o efeito da raiva. Por isso ter clareza é tão importante antes de agir. A sugestão é não desviar, mas sim reconhecer esses sentimentos e aprender a lidar com eles de forma mais habilidosa”, diz.

Parar, respirar e observar antes de voltar à ação é fundamental para abrir um espaço não reativo e mais lúcido do que desejamos ou não realizar. No caso da prática em sala de aula, a instrutora reforça que é fundamental que o professor seja também um praticante, a fim de convidar os alunos a fazerem parte daquele espaço de presença.

Com isso, ganha o professor, ganham os alunos e ganha a relação estabelecida nesse espaço, que é de fundamental importância para o desenvolvimento cognitivo, emocional e afetivo de cada ser humano.